A real dimensão do América/RN
O América de Natal é um time grande? Se for a nível de Rio Grande do Norte ele é, a nível nacional sabe-se que é um time pequeno, mas sempre foi temido dentro do Machadão, vencer o Dragão aqui em Natal era muito difícil. O Machadão foi demolido em 2011 e de lá para cá parece que o orgulho do RN deixou de existir, não necessariamente, pois em 2014, o time de Oliveira Canindé goleou o Fluminense por 5x2 em pleno Maracanã pela Copa do Brasil, imagine se Rodrigo Pimpão cogitasse como Roberto Fernandes (segundo RF o América/RN não tem condições de vencer um time da série A), ele jamais teria feito o gol da classificação americana aos 45' do segundo tempo.
Foto: Alexandre Cassiano
Década de 70 - era áurea em termos de disputas em edições da série A
Para saber um pouco mais porque o Mecão é conhecido como o orgulho do RN, temos que voltar no passado, o ano é 1973 e o Alvirrubro disputava a série A e venceu o Atlético/MG por 2x1 no Castelão (Machadão). Em 1974, competindo na série A, a equipe natalense venceu o Botafogo por um a zero com gol de Garcia aos 82 minutos de jogo e venceu o Fluminense pelo mesmo placar, desta vez quem marcou foi o Pedrada aos 74', ambas partidas realizadas no antigo Castelão (Machadão).Em 1975, pela série A, o América enfrentou o Vasco no São Januário e venceu a equipe carioca por 1x0 com gol do atacante Washington aos 20' do primeiro tempo. Em 1976, disputando a Série A, o Dragão venceu o Fluminense por 2x1 no Castelão (Machadão) com gols de Alberi e Zeca para o Mecão e Doval descontou para o time carioca. Neste ano, América/RN e ABC se enfrentaram na série A com vitória do Alvirrubro por 3x1, com gols de de Ronaldo Cruz, Garcia e Pedrada e Xisté descontou para o ABC. Na série A de 1977, o América de Natal venceu a Ponte Preta por 1x0 com gol do atacante Alberi. Na série A de 1978, os resultados mais relevantes foram o empate com o Cruzeiro, 1x1, e a goleada sobre o Uberlândia por 4x2 no Castelão. Em 1979, pela série A nenhum resultado relevante sobre os grandes brasileiros, mas venceu o ASA por 2x0 no Castelão com gols de Ivã e Oliveira.
Década de 80 - era da escuridão em termos de disputas em edições da série A
A década de 80 foi uma era de escuridão para o América em termos de série A, bem como uma década de bagunça dos regulamentos do Campeonato Brasileiro (década de 70 segue em alguns anos), em 1980, pela série A apenas empatou com Fluminense e Atlético/MG em termos de resultados positivos contra equipes grandes, em 1981, pela série A contra uma equipe grande conseguiu um empate com o São Paulo. Em 1982 (taça de prata, uma espécie de série B que dava acesso a segunda fase da série A), na série A o Mecão não consegue resultados positivos contra equipes grandes. Em 1983, na série A, a maior equipe que o Dragão venceu foi o Sport por 1x0, com gol de Paulistinha no Castelão. Os regulamentos da década de 80 misturavam equipes das diversas divisões, era uma total falta de organização, em alguns anos fica difícil dizer se o time disputou série A, B ou C, pois as divisões que seriam similares as séries B e C davam oportunidade de classificação para a segunda fase da série A no mesmo ano.
Década de 90 - o renascimento, no qual vira o orgulho do RN
Na década de 90, principalmente na segunda metade, o Dragão resolveu ressurgir a nível nacional, nessa época era mais fácil ver nas ruas de Natal camisas de times cariocas, paulistas e europeus. Camisas de América/RN e ABC eram raras, difícil até de conseguir comprar, tendo em vista a fraca procura por elas, as lojas não colocavam a venda. Foi nesse período das conquistas dos acessos as divisões superiores, que a torcida do Mecão começou a crescer. Todavia ainda em 1993, o América de Natal participou de uma seletiva, que dava acesso a série B de 1994 e conquistou o acesso. Em 1996, o time da Rodrigues Alves montou um bom elenco e conquistou o acesso a primeira divisão, imagine se o técnico Ferdinando Teixeira tivesse a mesma linha de pensamento de Roberto Fernandes, jamais a equipe potiguar teria disputado a série A de 1997, se Carlos Mota também tivesse a ótica do atual técnico do Mecão, não teria feito o gol da vitória em cima do Náutico aos 47' do segundo tempo e colocado o Dragão na elite de 1997. Quem testemunhou a festa da torcida americana em 1996 nunca esquecerá, Natal ficou vermelha e branco, a camisa americana passou a ser a mais procurada. Depois do acesso, o Alvirrubro disputou a série A de 1997 como franco candidato ao rebaixamento e surpreendeu o Brasil com uma bela campanha, era um time de raça e com muitas pratas da casa, o zagueiro Gito - ex-pescador - era um deles, marcando belos gols de falta, em regra era uma pancada forte de perna esquerda, com efeito e rasteira. A torcida americana comemorou muitos gols do zagueiro, "Cabo Gito" como era chamado pelo narrador Hélio Câmara, Gito recebia R$ 2.000,00 (dois mil reais) por mês, mas não se intimidava diante dos grandes atacantes brasileiros da época. O Mecão de 1997 era muito unido e a maior marca dele era a raça, não era uma equipe cheia de medalhões e em casa eles "cantavam de galo". Em 1998, apesar de conseguir vencer o Flamengo e o Cruzeiro, a equipe potiguar foi rebaixada para a segunda divisão, entretanto não foi uma temporada ruim, pois em 1998, o Dragão conquistou o seu maior título, a Copa do Nordeste, na qual venceu o Vitória de Petkovic por 3x1 num Machadão lotado de americanos.
Foto: América/RN
Primeira década de 2000 - feitos memoráveis
Nos primeiros anos "2000", o América voltou a fazer feitos memoráveis. Na Copa do Brasil de 2000, o Mecão venceu o Remo/PA por 6x2 no Machadão, o primeiro jogo foi vencido pelo Remo por 2x0, com o resultado a equipe americana passou para a quarta fase da competição, na qual foi enfrentar o São Paulo. O Dragão voltou a se destacar em competições nacionais de 2005 a 2007, de onde saiu da série C em 2005 até chegar na série A em 2007. O desempenho do Alvirrubro em 2007 foi muito fraco, bem longe daquele de 1997 e é em cima desse rendimento ruim na série A de 2007, que Roberto Fernandes prega sua visão pífia sobre o América de Natal. Não tem comparação as cotas recebidas numa série A com as demais competições, patrocínios, campos lotados e aumento de torcida. É melhor perder na série A do quê vencer na série D. Outro argumento apontado para não disputar uma série A é o endividamento depois do rebaixamento, a equipe só sairá no negativo se gastar mais do quê recebe, isso cabe ao financeiro do clube controlar os gastos.
América/RN de 2006
Década de 10 - só "estaduais" e o declínio à série D
O América de Natal vive possivelmente a sua segunda pior era de sua história no futebol, perdendo apenas para o período do licenciamento do futebol para construir a sua sede (1959 a 1966), coincidentemente é um período, no qual o Mecão vem construindo o seu estádio, Arena América. O Dragão mudou o seu perfil e passou a ser uma equipe que busca ser pelo menos vice do estadual (prioriza o estadual) e garantir uma vaga na Copa do Nordeste, na Copa do Brasil e na série D do ano seguinte. Aquele planejamento voltado para o Campeonato Brasileiro não existe mais e conquistar o acesso está ficando cada vez mais difícil. Penando na série D desde o rebaixamento da série C de 2016, o Alvirrubro disputará sua quarta série D na sua história, é inaceitável para o time da Rodrigues Alves, que é considerado uma equipe de série B penar numa divisão de nível técnico tão baixo. Nessa década o América conquistou 4 títulos estaduais, sendo campeão em 2012 (Roberto Fernandes), 2014, 2015 (Roberto Fernandes) e 2019. Em 2015, no ano do centenário, o América conquistou o campeonato estadual sob o comando de Roberto Fernandes e ele ganhou um espaço na história do clube. Pois é, agora o Mecão vive a era dos estaduais e da famigerada série D, parece que ganhar pelo menos o vice-campeonato do estadual virou sinônimo de uma boa temporada. A audácia americana de outrora deve ter ficado no passado. A torcida jovem do América/RN acha normal jogar a série D, mas os mais velhos não pensam assim, esse pensamento fica para o atual técnico do América de Natal, Pois no coração da velha guarda da torcida americana ainda vive o "orgulho do RN"!




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